Penso que era à Quinta que a carrinha vermelhinha da Gulbenkian trazia ao largo, onde hoje figura a estátua que perpetua o homem do Douro, um mundo novo. De quinze em quinze dias os livros visitavam a minha terra.
Não recordo a idade mas lembro que a mãe não gostava que lesse A Turma da Mónica. Receava que eu ficasse com uma ideia errada da língua portuguesa. Desde então muita tinta correu, o português mudou e eu com ele. Hoje, quando leio "direto" na televisão sinto vergonha e um envelhecimento feroz. Daqui a uns tempos serei do tempo em que direto tinha um c.
A verdade é que li imensos livrinhos d'A Turma da Mónica. O sr. Luís guardava-mos. Também li Patinhas e Mafalda. Mas quando aprendi a ler, mergulhei na imensidão do possível. A minha paixão pela escrita fez-me fraca, limitada para o prático. À noite em sonhos eu voo, de manhã com o despertador eu tremo. Acordar! Acordar na terra dos outros e nela, todos os dias ter de me garantir.
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